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Em tempos recentes e como coroamento
natural da Via-Crúcis, nasceu a prática da Via Lucis. A meditação orante
dos mistérios gloriosos do Senhor – os eventos compreendidos entre a
Ressurreição e o Pentecostes – ensina-nos a caminhar no mundo como
"filhos da luz", testemunhas do Ressuscitado.
Quem preside convida ao recolhimento para
a meditação sobre a ressurreição de Cristo, pois o Mistério Pascal é o
centro da fé em Cristo e é estruturado nos aspectos da morte e da ressurreição de Jesus
Cristo.
Por séculos, a Via-Crúcis mediou a
participação dos fiéis no primeiro momento do evento pascal – a Paixão
de Cristo – e contribuiu para elevar os índices de consciência do povo.
Após o Vaticano II, percebeu-se a necessidade da devoção do aspecto da
ressurreição e um dos meios foi a Via Lucis. A Via Lucis, no modo como é
realizada, com fidelidade aos textos dos Evangelhos, pode mediar
eficazmente a compreensão vital da nossa fé.
Dentro da cronologia histórica da Via
Lucis, desde seus primeiros esboços em 1984, foi enfatizar sua inserção
no "Manual do Peregrino", publicado por ocasião do Ano Jubilar de 2000,
como uma das três práticas da piedade popular, ao lado da Via-Crúcis e
do Rosário.
A Via Lucis é simétrica à Via-Crúcis: as
estações e as leituras da Bíblia compreendem o processo natural que vai
da Páscoa do Filho de Deus que vence morte, até a irrupção triunfal do
Espírito Santo no Cenáculo, em Pentecostes.
Os Mistérios Gloriosos da tradição do
Rosário de Maria são, em si, a síntese da Via Lucis e durante toda a Via
Lucis, a Mãe de Jesus remanesce ao nosso lado, Ela regozija-se com o
Filho Ressuscitado. Aprendemos a meditar sobre a Ressurreição de Cristo
e a caminhar no mundo como "filhos da luz", testemunhas do Ressuscitado.
A Via Lucis é uma pedagogia para o
incremento da fé, porque, enquanto é dita, passa-se do escuro para as
luzes. Nesta metamorfose, a Via Lucis nos conduz desde a aceitação da
verdade da dor, que no projeto de Deus não constitui o final do nosso
caminhar, até a esperança da realização do objetivo verdadeiro do homem:
a liberdade, a alegria, a paz, que são essencialmente valores pascais.
Em uma sociedade que prega freqüentemente
a "cultura da morte", com suas expressões de angústia e aniquilamento, a
Via Lucis é um estímulo para estabelecer uma "cultura da vida", uma
cultura que é aberta à tese da esperança e às certezas da fé.
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