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Realizada durante a Quaresma, em especial,
durante a Semana Santa, a “Via-Crúcis” (“caminho da cruz”,
em latim) é um ato litúrgico celebrado pela Igreja
Católica para relembrar a Paixão e Morte de Cristo. Recebe
também os nomes de Via-Sacra (“caminho sagrado”, em latim)
e “Via Dolorosa”.
A Via-Crúcis tornou-se uma das devoções mais populares da
Igreja Católica. É essencialmente um caminho de devoção, um dos meios que
homens e mulheres podem usar para fazer contato com Deus, para adorá-Lo,
para agradecer e aumentar seu amor por Ele. A devoção aos sofrimentos de
Cristo é recomendada particularmente para todos que desejam viver “segundo
o exemplo de caridade de Cristo, que nos amou e por nós se entregou a
Deus” (Ef 5,2).
Originalmente, a Via-Crúcis ocorria somente em Jerusalém,
para onde os cristãos peregrinavam para fazer o trajeto percorrido por
Jesus. Em Jerusalém, os antigos romeiros percorriam a "via dolorosa" no
sentido inverso, isto é, do Santo Sepulcro ao pretório romano. Segundo
tradição antiqüíssima, a Virgem Maria, mãe de Jesus, após a Ressurreição,
visitava diariamente o cenáculo, a casa de Anás e Caifás, o Calvário e o
Santo Sepulcro, o pretório, Getsemani, o Horto, o Vale de Cedron, e a
Fortaleza de Antônia no Sião.
As viagens dos romeiros começaram em 313, quando o
imperador Constantino converteu-se ao Cristianismo. Até então perseguidos
pelo Império Romano, os fiéis puderam, enfim, visitar a cidade sagrada
para celebrar a memória de Cristo.
Esta tradição foi retomada no Século XII pelos franciscanos
em Jerusalém, quando colocaram na Via Dolorosa algumas capelinhas e marcas
de pedra. Estas já seguiam a ordem cronológica e a Via-Crúcis começou a
encontrar sua forma atual, justamente no tempo da crescente devoção para
com os sofrimentos de Jesus. Na época, os franciscanos, que guardavam os
lugares sagrados de Jerusalém, sabendo que nem todos os fiéis poderiam ir
até lá, propuseram que a cerimônia fosse realizada nas igrejas locais.
A prática espalhou-se pelo mundo católico somente a partir
do Século XV. A descrição do martírio de Cristo por meio de imagens surgiu
durante a Idade Média, quando a catequese se dirigia, em grande parte, a
analfabetos. Para que os fiéis que não sabiam ler (o que representava a
grande maioria) compreendessem a plenitude de significados da vida do
Messias, a Igreja decidiu apresentá-la de forma visual.
O ritual geral da Via-Crúcis é realizado por milhares de peregrinos há mais de
quinhentos anos, e consiste em percorrer, assim como Jesus, as estações
que recriam os momentos de seu sofrimento, prisão, condenação à morte até o seu
sepultamento e ressurreição, parando em cada estação para meditar ou rezar.
Em algumas paróquias, em vez de os fiéis contemplarem
imagens, eles assistem a encenações que dão vida aos eventos narrados. Em
outras, meditam diante de uma série de “altares” montados em frente às
casas de determinada região da paróquia.
Existem variações para a realização do ritual. O mais
praticado é a versão tradicional, e a grande maioria das igrejas têm essas
estações. Mais recentemente, foi introduzida a versão bíblica da
Via-Crúcis, que apresenta somente passagens que constam da Bíblia Sagrada.
Pode-se ainda percorrer a Via-Crúcis baseado somente no Evangelho de
Lucas.
Seja como for, o objetivo é um só: valorizar as ações de
Cristo e reconhecer a presença de Deus mesmo na dor e no sofrimento.
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