Ele é jovem, dinâmico e organizado. Nascido em Londrina,
no dia 27 de janeiro de 1967, Pe. Romão
Antônio Martini Martins é um legítimo pé-vermelho, que viveu sua
infância freqüentando a igreja de Nossa Senhora de Fátima, na Vila Casoni.
É filho de Romão António Martins, aposentado que hoje
trabalha como motorista de Dom Albano. Sua mãe, Hilda Martini Martins,
sempre se dedicou à sua casa, aos filhos e às atividades da Igreja.
Costuma dizer que sua mãe é mais católica do que ele. É o filho mais
velho de quatro irmãos, três homens e uma mulher. Lembra-se que era
moleque quando sua mãe tentou colocá-lo num grupo de adolescentes.
Naquela época ele não queria de jeito algum.
Aos 15 anos de idade, sentiu o chamado de Deus à vida
sacerdotal. Ingressa no Seminário Xaveriano, tendo a sua primeira
experiência de vida comunitária.
Após concluir a 8ª série resolveu entrar para o
seminário, na Congregação Xaveriana. Lá estudou os três anos do
colegial, mas acabou
saindo depois. Na época pensava que a decisão fosse definitiva e que
não regressaria mais.
Após deixar o seminário "foi a luta". Trabalhou dois anos
como caixa geral de uma rede de supermercados. Não tinha muita
experiência, mas foi aprendendo. Depois ficou três anos sendo
representante comercial de uma indústria alimentícia. Nestes cinco anos
de trabalho, aprendeu muito e adquiriu a estabilidade financeira.
Tinha um bom salário, carro, independência... Mas, de
repente, começaram a voltar os pensamentos referentes à vocação
sacerdotal. Nestes cinco anos que ficou fora, não se desligou da Igreja.
Sempre freqüentou grupo de jovens (seus amigos são todos deste meio).
Foi um ano de muita reflexão, pois voltar significava assumir uma nova
vida, abrindo mão da autonomia adquirida. Pensou muito e rezou mais
ainda.
Em 1991 resolveu retornar, ingressando no Seminário Xaveriano de Campinas. Durante o propedêutico (período de adaptação à
vida comunitária, na qual era permitido trabalhar fora) arrumou emprego no
setor de cobrança do Bamerindus. Porém, percebeu que não tinha o carisma
dos xaverianos.
Não tinha vocação para ser missionário e ir para a África ou Ásia. Mas,
aos 15 anos de idade, era a única coisa que conhecia. Com o tempo,
descobriu que a sua vocação era outra. Nos xaverianos daria mais trabalho
do que ajudaria, embora admire o carisma desta congregação.
Optar por ser diocesano foi uma feliz decisão. Acabou
indo para Apucarana fazer Filosofia e, em 1995, voltou para Londrina para cursar Teologia. Concluiu
seus estudos em 1998 e foi ordenado em 20 de março de 1999, com 32 anos
de idade.
A primeira comunidade onde foi pároco por quase sete
anos, e que permaneceu até ser transferido para a Paróquia Nossa Senhora Auxiliadora,
foi a Paróquia Nossa Senhora da Paz. É comum ver-se fiéis de sua
ex-comunidade assistindo às Missas na Igreja de Nossa Senhora
Auxiliadora, para visitá-lo.
Os primeiros anos na Paróquia Nossa Senhora da Paz foram
muito marcantes. Foi muito feliz, muito mais do que poderia imaginar.
Chegou aberto às novas experiências e aproveitou cada momento.
Enquanto esteve lá, sua vida foi inteiramente para a
Nossa Senhora da Paz. Agora que está aqui, é Nossa Senhora Auxiliadora
por completo. Como padre, "só tenho agradecer a Deus pela oportunidade
desta nova vida. Chego com o coração aberto, feliz, cheio de entusiasmo,
confiança em Deus e esperança". Do passado ficará a saudade.
Pe. Romão lembra também que viveu momentos de dor em sua
vida. No seu segundo ano de padre, foi visitar alguns parentes em
Portugal – tem tios e primos em Braga. Foi com seus pais e um tio.
Queria fazer uma surpresa, por isso não disse quem iria com ele. Quando
chegou no aeroporto, ficou frustrado, pois ninguém estava os esperando.
Minutos mais tarde, chegou a notícia: seus parentes estavam a caminho do
aeroporto, em dois carros, quando um dos carros sofreu um acidente. Sua
tia faleceu e uma prima ficou ferida. A primeira missa que rezou em
Portugal foi a de corpo presente da tia. Foi muito triste,
principalmente porque era uma tia muito querida. Disseram-lhe que ela
estava muito feliz, aguardando a sua chegada.
Pe. Romão tem outras atribuições, além de pároco. Em
razão das experiências que teve no setor financeiro, em 2001, após a
saída do Monsenhor Bernard, passou a ser o Ecônomo da
Arquidiocese. "Gosto de auxiliar a Arquidiocese neste aspecto
financeiro, embora seja trabalhoso e bastante puxado conciliar a
paróquia com a Arquidiocese. Mas, como padre, me sentiria frustrado se
estivesse longe da vida paroquial. Tornei-me padre para isso, para estar
com as pessoas"
É também Vigário Geral da Arquidiocese, missão que compartilhava com o Pe. Carmelo Bezzina.
No fim do ano 2005 foi
nomeado Assessor de Comunicação da Arquidiocese.
Tantas tarefas podem ser cansativas, mas Pe. Romão
afirma: "As tarefas eu consigo cumpri-las procurando organizar-me e
trabalhando muito. Ainda tenho que aprender a lidar com o cansaço. Em
sete anos de vida sacerdotal, se tirei 60 dias de férias foi muito. Mas
não reclamo, pois gosto do que faço".
Quanto aos horários, seu dia é mais longo que da maioria
das pessoas. Os e-mails, quase sempre, são respondidos depois da meia
noite. Os paroquianos que fazem solicitações por e-mail, observam a hora
da resposta: Oh15, 1h20, 1h40 e por aí afora. Além disso. Pé. Romão vem
fazendo estudos de Teologia em Curitiba, razão pela qual passa as noites
e as madrugadas estudando e fazendo trabalhos. Não é a toa que seu
programa predileto é o Jornal da Globo e as notícias do canal Globo
News.
Considera-se uma pessoa organizada, embora já tenha sido
mais no passado. É um pouco sistemático, "mas estou tentando me libertar
disso".
Pe. Romão considera-se "controlado diante das dificuldades, procuro não me exaltar e agir
com tolerância. Mas meu ritmo é acelerado. Não sou do tipo que espera a
chuva passar. Se cair um pé-d'água, saio correndo, mas saio na chuva.
Gosto de fazer eu mesmo determinadas coisas, principalmente no meu
espaço de trabalho e na minha casa. O que faço, procuro fazer bem-feito.
O Dia da Palavra, por exemplo, gasto tempo e me dedico. Gosto de
entregar um texto, por escrito, para todos os participantes".
Gostaria de fazer novos estudos na área da Teologia,
Comunicação e Economia. Acredita que é preciso melhorar a Comunicação
dentro das igrejas, aperfeiçoar, assim como a organizar e regularizar as
finanças. Isso tanto para os padres, quanto para os leigos. Não é porque
o trabalho é voluntário que deve ser feito "como dá". Além disso, não
gosta do termo "voluntário", no âmbito da Igreja. "Para mim, o leigo
atuante na Igreja não está exercendo um trabalho voluntário; está
exercendo sua missão de batizado".
Mas mudar é sempre difícil, para qualquer pessoa. "Toda mudança é difícil, mas gera crescimento.
Quem não muda, não cresce. Além disso, a própria comunidade ganha com a
mudança. Eu fiz o melhor que pude na outra paróquia, mas ninguém é
perfeito. Quem assumiu lá certamente tem qualidades que eu não tenho.
Cada um que chega dá seqüência ao trabalho do outro e contribui com algo
novo".
Uma frase: "Dá teu pão a todo
aquele que tem fome, mas ao triste dá o teu coração".
Não gosta na TV: programas de auditório; Ratinho e companhia.
Seus hábitos alimentares:
verdura, verdura, verdura. Não preciso de mais nada: rúcula, alface,
almeirão, tomate... Carne tem passagem de graça na minha vida. Quando
vou numa feira-livre, até minha fé aumenta. (risos)
Doces preferidas: já gostei mais. Hoje, no máximo, uma gelatina ou um
pudim.
Sua infância: normal. Estudava e brincava no quintal de casa.
Andava de bicicleta. Não fui de muitos amigos, até porque não gostava de
jogar futebol. Não gosto até hoje. Se eu fosse casado, disto minha
esposa não reclamaria; teria outras reclamações certamente. (risos)
Programa de TV predileto: o
Jornal das Dez, na Globo News. Assisto todos
os dias.
Pessoa que admira: o arcebispo Dom Albano. Quanto mais o conheço, mais o
admiro.
Faria se tivesse muito dinheiro: criaria um projeto para resgatar as
pessoas, formando-as, educando-as, dando oportunidade de crescimento e
dignidade.
Praia ou campo: sem dúvida a praia, pela beleza do mar. Não preciso
entrar, nem nadar. Contemplar o mar me faz um bem enorme. Sou fascinado
pela beleza do mar.
Uma alegria: minha ordenação.
Nas horas vagas: horas vagas? Estão todas preenchidas (risos). Meu lazer
é partilhar, conversar com amigos. Gosto de estar na companhia de outros
padres.
Esporte: não sou praticante, mas gostaria de ter um tempinho para nadar.
Gosto da natação.
Time de futebol: um mero simpatizante do Palmeiras. Mas não me pergunte
o nome do técnico, nem dos jogadores, pois não sei.
Tira você do sério: trânsito.
Não abre mão: de ser eu mesmo; da minha
liberdade de ação; de agir corretamente; de fazer o que tem que ser
feito.
Uma viagem que marcou: Portugal.
Filme que não esquece: "Os Miseráveis". É um grande paradoxo ver numa
sociedade tão fria, indivíduos solidários e humanos.
Música ou cantor: clássicos internacionais e MPB.
O melhor da vida: conviver bem com as pessoas. Viver é conviver.
Uma lição de seus pais: o seguimento de Jesus.
Várias qualidades: sou uma pessoa prática, objetiva, responsável e de
confiança. Perdôo muito fácil. É um dom de Deus, pois não preciso me
esforçar para perdoar.
Um defeito apenas: impaciência, principalmente com gente enrolada.
Uma missão pessoal: viver para que as pessoas se tornem próximas de Deus
e uma das outras. A espiritualidade da unidade.
Uma certeza absoluta: Deus é misericórdia!
Qualidades: Entre
suas qualidades está o desapego e a facilidade como perdoa as pessoas e
toca a vida sem mágoas ou rancores: "Ninguém é perfeito e sei que a
misericórdia de Deus para conosco exige que também sejamos
misericordiosos para com o próximo. Perdoar é um dom dado por Deus, não
preciso fazer esforço para perdoar, simplesmente perdôo e passa!"
conclui Pe. Romão.
Dia 20 de março, nosso pároco Pe.
Romão Martins completa 9 anos de sacerdócio.
Ordenado pelo arcebispo Dom Albano Cavallin, na
Paróquia Nossa Senhora de Fátima, na Vila Casone, em
Londrina, sua primeira comunidade foi a Paróquia
Nossa Senhora da Paz, onde assumiu 20 dias após a
ordenação, dia 10 de abril de 1999. Após 7 anos de
serviço naquela comunidade, Pe. Romão veio para a
nossa paróquia, tomando posse no dia 26 de fevereiro
de 2006. Veja a seguir uma breve entrevista com
nosso pároco.
Presença - Sua visão do sacerdócio
mudou depois de 9 anos ordenado?
Pe. Romão
- Para mim o sacerdócio sempre foi serviço, amor e
doação. Sacerdócio é ter intimidade com Jesus,
bondade, acolhida, solidariedade e boa convivência
com os irmãos. Depois que me tornei padre, os
desafios da missão são muitos: ter sempre uma
palavra de esperança, aconselhar, perdoar, visitar,
consolar, administrar, intermediar situações
diversas, entre outros. Para cada um destas coisas,
e tantas outras, não há fórmulas prontas. Só Deus
pode guiar.
Presença - As suas expectativas
quanto ao sacerdócio se confirmaram?
Pe. Romão
- Ser padre foi para mim foi uma escolha feliz e
acertada. Antes de ser padre, assim como que antes
do casamento para os casais, ou para qualquer outra
profissão, a realidade futura é sempre bastante
diferente.Não se pode tomar qualquer decisão com
base em expectativas. É preciso ter o pé no chão,
sobretudo porque, qualquer que seja a escolha,
sempre haverão muitos desafios.
Presença - O que mais alegra o
senhor?
Pe. Romão
- A presença de Deus em minha vida. Tenho muito a
agradecer a Deus pelas graças que tem me concedido
nestes 9 anos de padre, principalmente no que se
refere às pessoas que Ele tem colocado em meu
caminho, verdadeiros dons, presentes, uma grande
família de fé. É o maior patrimônio que eu poderia
ter, juntamente com minha família de sangue.
Fonte: Jornal Presença Viva
(mar. 2006/fev. 2007/mar. 2008)
Portugal: Momentos de Graça
e Convivência Fraterna
O mês de abril foi especial e
diferenciado para o pároco Pe. Romão Martins. Depois
de quase 8 anos sem tirar mais que uma semana de
férias, ele resolveu descansar verdadeiramente,
viajando para Portugal e visitando seus familiares.
A edição desse mês traz uma
entrevista exclusiva com Pe. Romão, a fim de
partilharmos um pouco de sua vida e experiências.
Presença - Portugal foi seu único
destino?
Pe. Romão - Meu objetivo era
Portugal, na casa de meus parentes, pois não os vejo
há 8 anos, mas optei por uma viagem de navio para
realizar o sonho de atravessar o oceano e conhecer
novos lugares. Fizemos paradas em Cabo Verde
(África), Tenerife e La Coruna(Espanha), Dover
(Inglaterra) e Kiel (Alemanha). Fui também à França,
na casa dos familiares do Pe. Manoel Joaquim. Já em
Portugal, visitei as cidades dos meus familiares,
incluindo Fátima.
Presença - Nesse mês longe, do que
mais sentiu você falta?
Pe. Romão- Graças a Deus, tenho boas
amizades e amo muito o nosso povo. Senti falta da
nossa gente querida, da minha família e até da
comida. Lá também, nos lugares onde passei,
encontrei pessoas abençoadas que foram muito
bondosas e acolhedoras comigo. Os pratos típicos
portugueses são diferentes dos nossos, mas também
muito bons e saborosos.
Presença - O que marcou de bom?
Conseguiu descansar?
Pé, Romão - Foi muito bom rever
Portugal, um país cada vez mais moderno e eficiente.
Meus parentes foram maravilhosos. A convivência,
sempre na simplicidade, foi inesquecível, deixando
muita saudade. Como é bom e importante cultivar os
laços familiares. Graças a Deus consegui
descansar e voltar revigorado. Não tive nenhuma
contrariedade.
Presença - Quais os aspectos
positivos e negativos que ficou?
Pe. Romão - De positivo, a boa
acolhida, a beleza de Portugal, o respeito às leis.
De ruim, o materialismo que permeia cada vez mais o
coração europeu, visíveis principalmente na
Alemanha, na França e na Espanha. Faltam vigor e
dinamismo pastoral na Europa. A missa dominical,
embora igual a nossa, não passa de 45 minutos. Fica
no ritualismo e na homilia do padre.
Presença - Celebrou alguma missa
por lá? Os jovens participam?
Pe. Romão - Em Braga eu celebrei uma
missa. Informaram-me que seria animada pelo grupo de
jovens da paróquia. Mas, não passou de 10 o número
de jovens na missa. A Igreja se torna pouco atraente
à juventude devido ao seu estilo tradicional. Mas,
em todos os lugares onde celebrei, fui acolhido com
muita bondade e simpatia pelo povo português.
Presença - Em Portugal tem
pastorais?
Pe. Romão - Lá tem Pastoral Familiar,
Litúrgica e algumas outras. As nossas pastorais são
mais atuantes, mais pujantes e em mais quantidade.
Porém, se produz excelentes publicações e subsídios
para pastorais e movimentos, alguns dos quais podem
ser encontrados na "Agência Eclesia", da conferência
Episcopal Portuguesa (www.ecclesia.pt).
Para quem gosta de se aprofundar no conhecimento e
no estudo dos textos bíblicos da liturgia dominical,
há neste mesmo site um material de excelente
conteúdo, preparado pêlos padres do Sagrado Coração
de Jesus.
Presença - Visitou o Santuário de
Fátima?
Pe. Romão- Sim. Conheci o novo Templo
do Santuário de Fátima, inaugurado há poucos meses.
Muito moderno, prático, ambiente agradável com
espaço para 3.500 pessoas sentadas. Muita coisa de
lá pode servir de inspiração na construção de novas
igrejas aqui no Brasil. Fátima é um lugar ímpar,
sereno, que evoca muita fé e espiritualidade. Vale a
pena conhecer.
Presença - Como é a devoção em
Fátima?
Pe. Romão - É admirável como a
veneração mariana aproxima as pessoas de Deus. Muita
gente vai para lã em peregrinação, viajando a pé por
vários dias. Conheci um rapaz chamado Jorge, que
iria caminhar 40 quilômetros por dia, para chegar ao
Santuário na terça-feira, dia 13 de maio, dia de
Nossa Senhora de Fátima.
Presença - Qual a mensagem que
deixa para os paroquianos?
Pe. Romão - O tempo todo me lembrei
da minha família de fé, que são todos vocês. Rezei
por todos em Fátima e foi com a especial estima que
tenho por cada um que fiz questão de trazer, a
todos, uma pequena lembrança (o santinho de Fátima).
É muito bom estar de volta na abençoada companhia
dos amigos.
Fonte: Jornal Presença Viva
(junho de 2008)
VIAGEM MISSIONÁRIA
A UNIÃO DO NORTE (MT)
|
 |
|
Vista geral de União do Norte, no
Mato Grosso |
Recentemente fiz uma viagem missionária ao Distrito de
União do Norte (MT), acompanhado dos paroquianos Pedro Tanaka, Nelson
Izumi, Cláudio Koyama e Diácono Wilson Liuti. Nesta matéria você
conhecerá um pouco da história dessa região, as razões da viagem e a
realidade que lá encontramos.
Em 2007 as irmãs xaverianas, com o intuito de abrir um
casa missionária em União do Norte, solicitou ajuda financeira à nossa
paróquia a fim de viabilizar esse projeto. O assunto foi debatido no
CPP paroquial e a nossa contribuição foi aprovada em unanimidade.
Tendo passado um ano, também em diálogo com o CPP no fim de 2008,
considerando o pedido dos Bispos do Brasil para que as Igrejas do su!
dêem uma atenção especial às missões no Norte do Brasil, consideramos
por bem fazer uma visita "in loco", junto com alguns paroquianos, no
intuito de ampliar esse projeto missionário não somente com apoio
financeiro mas também pastoral, com o envio de missionários leigos
através de estudos e planejamentos futuros.
Localização e população da cidade
União do Norte pertence ao município de Peixoto de
Azevedo. Localizado a 800 km da capital Cuiabá e a 100 km do Estado de
Pará, no norte do Mato Grosso. Faz parte da "Amazônia Legal". Possui
uma área territorial de 10.000 km2. É considerado o maior assentamento
da América Latina. População estimada em 11.000 habitantes: 2.500
residem no distrito e 8.500 no interior. São de diversas procedências:
índios Kopenoti e Terena, e de regiões de todo Brasil, principalmente
do Maranhão e da Sul do país.
Breve história e contexto social
A História começou em 17 de abril de 1993, com a
chegada de um grupo de pessoas à procura de terras para morar.
Consolidou-se ali o maior assentamento da América Latina, com 3.980
lotes de 50 hectares cada. Não possui infra-estrutura básica para
adequada distribuição de água e de tratamento de esgoto, não há
operadoras de telefonia celular e menos de 10% da população tem acesso
à internet. Procura-se alternativas econômicas a médio e longo prazo.
O comércio do distrito tem poucas perspectivas a curto prazo e a
população sobrevive da venda do leite (R$ 0,28 o litro), roçagem de
mato, fazer cerca em pasto e do plantio de alguns produtos que
garantem a sua sobrevivência.
Possui 22 escolas que atendem em torno de 1.800 alunos.
Há uma alta taxa de analfabetismo entre os adultos e o nível acadêmico
dos estudantes é baixo devido à vários fatores: falta de interesse dos
pais, professores mal preparados, falta de biblioteca e dificuldades
de transporte na época das chuvas. Para os jovens que terminam o
colegial é quase total a falta de perspectivas, visto que são pobres e
a faculdade mais próxima é particular e se encontra a 130 km de União
do Norte.
 |
 |
| Missa celebrada pelo
Pe. Romão na comunidade rural. |
Estrada de terra que
dá acesso à cidade. |
É muito precário e desconfortável, pois as distâncias
são muito grandes e as estradas estão em mal estado, piorando ainda
mais no período das enchentes. Os 80 km da BR 080, entre Matupã e
União do Norte não possui asfalto e as diversas pontes de madeira são
precárias. Os ônibus são muito velhos e freqüentemente quebram. Não
raro o povo é transportado em caminhões.
Sua rica biodiversidade está ameaçada pelo desmatamento
e pela poluição das nascentes e rios causada pelo garimpo e pelas
substâncias químicas utilizadas na exploração do ouro, sem falar nos
depósitos de lixo à beira dos rios e das vilas rurais (ausência de
coleta pública do lixo) e pelo desmedido uso de plásticos em geral.
O povo em geral possui fraca formação religiosa.
Observa-se um misto de religiosidade popular com religião
descompromissada, utilitária, terapêutica, independente e subjetiva,
na qual não existe pecado. Muita gente muda de religião com
facilidade, ou freqüenta várias igrejas ao mesmo tempo.
A Diocese de Sinop e a Paróquia São
José
A Diocese de Sinop, que tem como bispo diocesano Dom
Gentil Delazari, e à qual pertence a Paróquia São José de União do
Norte, possui uma área territorial cuja extensão é maior que o Estado
do Paraná. A Paróquia foi fundada em 2004, possui 190 km de extensão
ao curso da BR 080, em estrada de chão batido. Há ainda as estradas
secundárias para acesso às 40 comunidades pertencentes à paróquia.
 |
 |
| Celebração da Santa
Missa na paróquia. |
Visita a uma das
famílias da região: após o jantar, pausa para foto. |
Depois de 52 horas de viagem chegamos a União do Norte.
Parávamos somente para almoçar e repousar. Sempre chegávamos nos
hotéis depois das 22h e continuávamos a viagem por volta das 8h do dia
seguinte. No total rodamos em torno de 2.200 km. Viagem bastante
cansativa, mas numa feliz perspectiva em função do que íamos
encontrar, do que estávamos levando e do que, com certeza, iríamos
trazer. No caminho não faltaram orações, reza do terço e reflexões
bíblicas. Continuamente pedíamos pela missão de União do Norte e pela
nossa abençoada família paroquial. O retorno foi mais demorado em
virtude de chuvas numa rodovia extremamente precária, esburacada, sem
acostamento, sinalização nula e com forte movimento de caminhões. No
segundo dia tombou um caminhão de bois que bloqueou a rodovia por uma
tarde quase inteira.
As irmãs xaverianas (Teresita, Carmen, Elisa e Jane), o
Pé. Renato e a população em geral nos receberam muito bem e foram
bastante cordiais conosco, deixando saudades. Os quase 4 dias que lá
passamos foi em função de uma extensa programação que fizeram para
nós, que consistiu principalmente em visita às capelas, às famílias do
interior e ao garimpo. Também participamos de reuniões com os jovens e
com o CPP. Nosso grupo de 5 foi dividido e ficamos hospedados nas
casas do povo. No sábado a noite celebramos a missa juntos, na sede
paroquial, e no domingo nos dividimos e participamos de missas em
diferente lugares.
O que levamos e o que trouxemos?
Como presente nosso àquela comunidade paroquial levamos
um datashow Benq (novo), um telão, uma caixa de som
amplificada, mais de 30 filmes e desenhos bíblicos e de formação
religiosa, uma grande quantidade de doces e pastéis para as crianças
e, sobretudo, muita expectativa de uma parceria-irmã entre nossa
paróquia e União do Norte. Trouxemos muita alegria, amizade e
esperança de na missão e na solidariedade ajudarmos na construção do
Reino, Deus conta conosco!
 |
 |
| Igreja, casa paroquial
e centro catequético |
Garimpo de ouro. |
 |
 |
| Grupo de jovens da
igreja de União do Norte. |
Capela rural: a
presença de Deus na simplicidade. |
Desafios Financeiros e Pastorais
A extensão territorial da Paróquia de União do Norte é
maior do que a Arquidiocese de Londrina. Entretanto, possui 2 padres
jesuítas e somente um deles, o Pé Renato de 62 anos, tem condições de
viajar e atender as capelas. A arrecadação com o dízimo da Paróquia é,
em média, de R$ 1.200,00, e R$ 200,00 com coleta de Missas. A Igreja
lá sobrevive graças a algumas ajudas que recebe de fora (outros países
e dos jesuítas) para sua manutenção básica: sustento, combustível e
uma funcionária. Pensar em investir em evangelização e mesmo em obras
sociais é um sonho distante, quase impossível! Dada s pouca formação
do povo em geral, é urgente a formação de lideranças que formem as
pastorais e desempenhem um trabalho eficaz na área da evangelização,
na ação social, em projetos comunitários de reivindicações e
conquistas sociais, de preservação do meio ambiente, etc...
Por que ajudar uma comunidade tão
distante se perto de nós há comunidades que também precisam de ajuda?
Se a nossa Igreja se espalhou pelo mundo é porque São
Paulo teve espírito missionário. Se ele tivesse ficado só em Roma, ou
em Tarso, certamente a fé cristã não teria chegado até nós hoje. A
Igreja se fortalece quando é missionária. Esse é o desejo de Jesus (Mc
16,15). A missionariedade é uma via de mão dupla: nós ajudamos mas
também recebemos, e não raro mais recebemos do que ajudamos. A falta
de espírito missionário pode tornar a igreja medíocre, egoísta e
sectária. Foram muito marcantes, motivadoras e até surpreendentes as
declarações de apoio e incentivo que tenho recebido de diversos
paroquianos com relação a esse projeto missionário. Desde já todas as
nossas pastorais e movimentos devem refletir sobre que tipo de
colaboração poderão, um dia, estabelecer com União do Norte, que
promova a evangelização, a solidariedade, uma condição de vida mais
digna à população e o cuidado com o meio ambiente.
 |
 |
| Escola rural da cidade
de União do Norte. |
Momento de despedida
com as Irmãs Xaverianas e o Pe. Romão. |
Como será o futuro dessa parceira?
Não é tarefa fácil estabelecer um projeto de
colaboração financeira, pastoral, evangelizadora e social,
principalmente pela distância que nos separa. Qualquer intercâmbio
pastoral não poderia durar menos do que 15 dias para valer a pena.
Entretanto cremos que isso é possível. Boa vontade não falta. Iremos
constituir uma equipe que vai estudar atentamente tudo o que poderemos
fazer a curto, médio e longo prazo. E contamos muito com o povo bom da
nossa paróquia para a concretização das nossas ações. De certa forma
gostaríamos que todos pudessem participar desse projeto que vai
revigorar ainda mais o nosso batismo, dará ainda mais sentido ao nosso
ser cristão e fortalecerá a nossa comunidade paroquial. Desejo muito
que outras pessoas também façam essa mesma experiência de fé,
encontro, amor, convivência e alegria que experimentamos e nos deixa
com gosto de quero mais e muitas saudades.
Fonte: Jornal Presença Viva (março de
2009)
Não à venda de bebidas alcoólicas
NAS FESTAS DA IGREJA!
"Uma festa de Igreja não deve jamais
almejar lucro com a bebedeira alheia, e muito menos ter a
bebida alcoólica como atrativo, mas sim a boa e sadia
convivência, o desejo de viver em comunidade e de se
confraternizar".
Buscando promover a segurança, a Campanha da
Fraternidade de 2009 tem como tema "A Paz é Fruto da
Justiça". Como gesto concreto o CPP paroquial, em sua
reunião do dia 26 de fevereiro, voltou a discutir um tema
que tinha ficado pendente na última reunião de 2008:
continuar vendendo ou não bebidas alcoólicas nas festas da
Igreja? Depois de boa reflexão ficou aprovado, por 36 votos
a favor e 3 contra, a suspensão da venda de bebidas
alcoólicas nas festas paroquiais (festa junina, jantares e
outras). Após um ano essa decisão será reavaliada pelo CPP.
Porém, argumentos não faltam para que seja uma decisão
definitiva. Confira as razões que a motivaram:
1) Efeitos Nocivos
- Está cientificamente comprovado que os efeitos do álcool
atuam no sistema nervoso central, ocasionando ações
depressivas semelhantes às dos anestésicos voláteis,
prejudicam a coordenação motora, aumentam a autoconfiança e
a euforia, deixam o humor mais instável; aumentam a confusão
mental, a sonolência e a irritabilidade; diminuem a
sensibilidade, a vigilância e o campo visual e causam
diversos tipos de doenças. Uma pessoa é considerada
alcoolizada após beber 2 doses de bebidas destiladas ou 2
latas de cerveja. Trata-se de um verdadeiro atentado contra
a saúde e contra a segurança pessoal e coletiva.
2) Bom exemplo
- Os grupos paroquiais AUJE e Dom Bosco Jr. fazem suas
festas com 300 e até 500 adolescentes e jovens e nunca
serviram bebidas alcoólicas. Sempre foram festas sadias,
alegres e sóbrias. Entretanto, quando participam das festas
paroquiais a bebida rola solta. A Paróquia-Mãe de todas as
pastorais e movimentos deve ser a primeira a dar um bom
exemplo aos mais novos. Estatística nacional revela que o
adolescente começa a se alcoolizar cada vez mais
precocemente, com média atual de 13 anos.
3) Dependentes
- Em nossa comunidade há diversas pessoas que eram
dependentes do álcool e causavam muito sofrimento a si e aos
seus familiares. Com sacrifício elas evitam a bebida. Nossas
festas têm sido uma grande tentação para que essas pessoas
recaiam no vício,
4) O perigo
- Pessoas que bebem em festas ficam mais vulneráveis quando
dirigem e propensos a causar acidentes. Dados de São Paulo
revelam que 65% dos acidentes fatais foram causados por
motoristas alcoolizados.
5) Argumentos
- Muitos poderiam dizer: "nas festas da nossa Igreja nunca
aconteceu nada de errado, mesmo com a venda de bebidas
alcoólicas". Casos de pessoas que se alteraram por causa da
bebida e criaram desavenças nas ruas e em seus lares não
chegariam facilmente aos nossos ouvidos. Nós não sabemos
jamais o que acontece dentro de cada casa e de cada coração
humano.
6) O público nas
festas poderia diminuir? - Pode até ser.
Entretanto, uma festa de Igreja não deve jamais almejar
lucro com a bebedeira alheia, e muito menos ter a bebida
alcoólica como atrativo, mas sim a boa e sadia convivência,
o desejo de viver em comunidade e de se confraternizar.
7) E nas festas dos
grupos, pastorais e movimentos? - Nas festas e
confraternizações particulares, cada pastoral, grupo ou
movimento - bem conhecedores do seu público - façam o seu
discernimento. Entretanto, nas grandes festas e
comemorações da comunidade, não devemos incentivar e
promover a venda de bebidas indistintamente. Cada pessoa
alcoolizada é urna potencial causadora de acidentes,
confusões e escândalos, e todos, crianças, jovens, adultos e
idosos, são potenciais vítimas de pessoas alcoolizadas.
Prevenir sempre é o melhor remédio!
Fonte: Jornal Presença Viva )março de
2009)
|