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“A História de Londrina pode ser
poeticamente dividida em tempo da clareira (o povoado), tempo do barro,
tempo do paralelepípedo e tempo do asfalto, correspondendo aos ranchos
de palmito, casas de madeira, de alvenaria e finalmente concreto ou
pré-moldados. Quatro estrelas na bandeira, quatro tempos na História”
(Domingos Pellegrini Junior. Jornal de Londrina, 13/5/2001, p. 3C.).
Norte do Paraná, uma região de terra roxa
e muito fértil, era até poucas décadas uma extensa floresta. A
colonização espontânea foi marcada pelo arrojo de homens saídos de Minas
Gerais ou São Paulo, que foram chegando à área de Cambará, entre 1904 e
1908. Rapidamente, a faixa entre Cambará e o Rio Tibagi – uma linha que
representaria o futuro percurso da ferrovia São Paulo-Paraná – foi
tomada por grandes propriedades cujos donos, via de regra, as
subdividiram em pequenas parcelas vendidas como lotes urbanos ou rurais.
Enquanto isso, vastas áreas de terra roxa
de domínio estadual, localizadas a oeste do Rio Tibagi, permaneciam
praticamente inexploradas, sofrendo os efeitos de um lento e ineficaz
plano de colonização do governo. Em 1920, percebia-se uma séria
frustração nas expectativas de ocupação da área, em virtude da
morosidade do Estado.
A partir de 1922, o governo estadual
começa a conceder terras a empresas privadas de colonização, preferindo
usar seus recursos na construção de escolas e estradas. Em 1924,
inicia-se a história da Companhia de Terras Norte do Paraná, subsidiária
da firma inglesa Paraná Plantations Ltd., que deu grande impulso ao
processo desenvolvimentista da área.
Londrina surgiu em 1929 como primeiro
posto avançado deste projeto inglês. Na tarde do dia 21 de agosto de
1929, chega a primeira expedição da Companhia de Terras Norte do Paraná
ao local denominado Patrimônio Três Bocas. O nome da cidade foi uma
homenagem prestada pelo Dr. João Domingues Sampaio, um dos primeiros
diretores da Companhia de Terras Norte do Paraná. A criação do município
ocorreu cinco anos mais tarde, através de Decreto Estadual assinado pelo
interventor Manoel Ribas, em 3 de dezembro de 1934.
A parte mais alta de Londrina foi
reservada, pela Companhia de Terras de Norte do Paraná, para a
construção da primeira igreja da cidade. Era uma "igrejinha" de madeira,
inaugurada em 18 de agosto de 1934. O projeto era do engenheiro Willie
Davids. O primeiro sino foi um pedaço de trilho.
Em 23 de outubro de 1943, uma construção
de alvenaria, em estilo neogótico alemão, substituiu a primeira igreja.
Mas a nova matriz não tinha torres, ladrilhos, nem bancos. Somente em
1949, ficaram prontas as torres da matriz, com 27 metros de altura.
Para acompanhar o crescimento de Londrina,
surgiram planos para a construção de uma Catedral, na cidade, em 1952,
antes da transformação da Paróquia, em Diocese. O projeto previa um
prédio bastante amplo, em estilo clássico renascentista. A obra, que
deveria fundir as duas construções – antiga e moderna –, ficou parada
por ser muito dispendiosa.
No final da década de 60, Dom Geraldo
Fernandes tomou uma decisão bastante prática para a conclusão da
catedral: mandou construir uma estrutura metálica que foi inaugurada no
Natal de 1972. Em 1991, a Catedral recebeu a torre com os sinos. Para
Dom Geraldo Fernandes, a concepção da nova Catedral era definida como
"uma tenda erguida por Deus no meio do seu povo e do progresso".
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