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Liturgia - Celebrações - Missas   

Liturgia

Ano Litúrgico

Celebrações

Símbolos Litúrgicos

Cores Litúrgicas

Significado dos Gestos

O Roteiro das Missas

 

   

Símbolos Litúrgicos

O ser humano é, ao mesmo tempo, corporal e espiritual. É matéria e espírito. Sua percepção, pois, das realidades espirituais depende de imagens e de símbolos, e sua comunicação só é plenamente objetiva na linha de comunhão. Em todas as civilizações e culturas e em todos os momentos da história, esse dado antropológico é registrado, sem discussões. O homem percebe as coisas pela linguagem própria, viva e silenciosa das coisas e se situa ─ ele próprio ─ no mundo do mistério. Tendo consciência de sua realidade transcendente, o homem busca, pois, a comunhão no mistério, que se dá sobretudo na linguagem silenciosa dos símbolos.

De fato, os símbolos nos mostram, em sua visibilidade, uma realidade que os transcende, invisível. Falam sempre a linguagem do mistério, apontando para além deles próprios. Por aqui, pode-se perceber o quanto é útil e necessária na liturgia esta linguagem misteriosa dos símbolos, e eles não têm, como objetivo, explicar o mistério que se celebra, pois o mistério é para ser vivido, mais portanto que ser explicado. A finalidade dos símbolos é adornar, na linguagem simples das coisas criadas, a expressão profunda do mistério, que é invisível.

Todo símbolo litúrgico deve, pois, mergulhar-nos na grandeza do mistério, sem reduzir este, e sem banalizá-lo, e, como símbolo, deve ser simples, como simples é toda a criação visível. Sua principal função, sobretudo na liturgia, é, pois, comunicar-nos aquela verdade inefável, que brota do mistério de Deus e que, portanto, não se pode comunicar com palavras. Na participação litúrgica devemos passar da visibilidade do símbolo, isto é, de seu sentido imediato, de significante, para a sua dimensão mistérica, invisível, atingindo o significado, que é o objetivo final de toda realidade simbólica. Se o símbolo não nos leva a essa passagem para um nível superior de crescimento espiritual, ou ele já não tem mais força expressiva, simbólica, ou somos nós que falhamos na nossa maneira de participar da liturgia. Um exemplo de perda de significação simbólica podemos citar a batina dos padres, ou o uso do véu na igreja pelas mulheres. Insistir, em nossa cultura, no uso de tais símbolos litúrgicos, seria forçar uma prática já inexpressiva e que até causaria espanto em muitas cabeças, para não dizer em toda a assembléia.

Na liturgia ─ saibamos ─ tudo, pois, é simbólico. E a liturgia é descrita como ação simbólica, no sentido mais pleno. Desde a assembléia reunida até a pequenina chama da vela que arde, tudo é expressão simbólica, que nos remete ao abismo do mistério de Deus. Na compreensão desse dado litúrgico está a beleza de todo ato celebrativo, e de sua consciência brota já a alegria pascal, como antecipação sacramental das alegrias futuras, definitivas e eternas.

Vejamos então algumas noções dos símbolos e procuremos descobrir sua ministerialidade na liturgia.

ALFAIAS

1. ALFAIAS LITÚRGICAS: Nome que se dá ao conjunto dos objetos litúrgicos usados nas celebrações. Deve-se também considerar aqui a Arte Sacra, que se estende, por sua vez, a tudo o que diz respeito ao culto e ao uso sagrado. “Com especial zelo a Igreja cuidou que as sagradas alfaias servissem digna e belamente ao decoro do culto, admitindo aquelas mudanças ou na matéria, ou na forma, ou na ornamentação que o progresso da técnica da arte trouxe no decorrer dos tempos” (SC 122c). Aqui, pode-se ver como a reforma conciliar do Vaticano II se preocupa com a dignidade das coisas sagradas. Templo, altar, sacrário, imagens, livros litúrgicos, vestes e paramentos, e todos os objetos devem, pois, manifestar a dignidade do culto, que, como expressão viva de fé, identifica-se com a natureza de Deus, a quem o povo, congregado pelo Filho e na luz do Espírito Santo, adora "em espírito e verdade” (Cf. Jo 4,23-24).

LIVROS LITÚRGICOS

2. MISSAL: Livro usado pelo sacerdote na celebração eucarística.

3. LECIONÁRIO: Livro que contém as leituras para a celebração. São três:

  1. Lecionário dominical: Contém as leituras dos domingos e de algumas solenidades e festas.

  2. Lecionário semanal: Contém as leituras dos dias de semana. A primeira leitura e o salmo responsorial estão classificados por ano par e ímpar. O evangelho é sempre o mesmo para os dois anos.

  3. Lecionário santoral: Contém as leituras para as celebrações dos santos. Nele também constam as leituras para uso na administração de sacramentos e para diversas circunstâncias.

4. EVANGELIÁRIO: É o livro que contém o texto do evangelho para as celebrações dominicais e para as grandes solenidades.

ESPAÇO CELEBRATIVO

5. ALTAR: Mesa fixa, podendo também ser móvel, destinada à celebração eucarística. É o espaço mais importante da Igreja. Lugar onde se renova o sacrifício redentor de Cristo.

6. AMBÃO: Chama-se também Mesa da Palavra. É a estante de onde se proclama a palavra de Deus. Não deve ser confundida com a estante do comentador e do animador do canto. Esta não deve ter o mesmo destaque do ambão.

7. CREDÊNCIA: Pequena mesa onde se colocam os objetos litúrgicos, que serão utilizados na celebração. Geralmente, fica próxima do altar.

8. PRESBITÉRIO: Espaço ao redor do altar, geralmente um pouco mais elevado, onde se realizam os principais ritos sagrados.

9. NAVE DA IGREJA: Espaço do templo reservado aos fiéis.

10. SACRÁRIO: Chama-se também Tabernáculo. É uma pequena urna onde são guardadas as partículas consagradas e o Santíssimo Sacramento. Recomenda-se que fique num lugar apropriado, com dignidade, geralmente numa capela lateral.

11. PÚLPITO: Lugar nas igrejas antigas de onde o presidente fazia a pregação. Hoje, praticamente não é mais usado.

OBJETOS LITÚRGICOS

12. CORPORAL: Tecido em forma quadrangular sobre o qual se coloca o cálice com o vinho e a patena com o pão.

13. MANUSTÉRGIO: Toalha com que o sacerdote enxuga as mãos no rito do Lavabo. Em tamanho menor, é usada pelos ministros da Eucaristia, para enxugarem os dedos.

14. PALA: Cartão quadrado, revestido de pano, para cobrir a patena e o cálice.

15. SANGUINHO: Chamado também purificatório. É um tecido retangular, com o qual o sacerdote, depois da comunhão, seca o cálice e, se for preciso, a boca e os dedos.

16. VÉU DE ÂMBULA: Pequeno tecido, branco, que cobre a âmbula, quando esta contém partículas consagradas. É recomendado o seu uso, dado o seu forte simbolismo. O véu vela (esconde) algo precioso, ao mesmo tempo em que revela (mostra) possuir e trazer tal tesouro. (O véu da noiva, na liturgia do Matrimônio, tem também esta significação simbólica, embora, na prática, não seja assim percebido, muitas vezes passando como mero adorno de ostentação).

17. ÂMBULA, CIBÓRIO OU PÍXIDE: É um recipiente para a conservação e distribuição das hóstias aos fiéis.

18. CÁLICE: Recipiente onde se consagra o vinho durante a missa.

19. CALDEIRINHA E ASPERSÓRIO: A caldeirinha é uma pequena vasilha, onde se coloca água benta para a aspersão. Já o aspersório é um pequeno instrumento com o qual se joga água benta sobre o povo ou sobre objetos. Na liturgia são inseparáveis.

20. CASTIÇAL: Utensílio que se usa para suporte de uma vela.

21. CANDELABRO: Grande castiçal, com várias ramificações, a cada uma das quais corresponde um foco de luz.

22. PATENA: Pequeno prato, geralmente de metal, para conter a hóstia durante a celebração da missa.

23. BACIA E JARRA: Em tamanho pequeno, contendo a jarra a água, para o rito do “Lavabo”, na preparação e apresentações dos dons.

24. CÍRIO PASCAL: Vela grande, que é benta solenemente na Vigília Pascal do Sábado Santo e que permanece nas celebrações até o Domingo de Pentecostes. Acende-se também nas celebrações do Batismo.

25. CRUZ: Não só a cruz processional, isto é, a que guia a procissão de entrada, mas também uma cruz menor, que pode ficar sobre o altar.

26. VELAS: As velas comuns, porém de bom gosto, que se colocam no altar, geralmente em número de duas, em dois castiçais.

27. OSTENSÓRIO: Objeto que serve para expor a hóstia consagrada, para adoração dos fiéis e para dar a bênção eucarística.

28. CUSTÓDIA: Parte central do Ostensório, onde se coloca a hóstia consagrada para exposição do Santíssimo. É parte fixa do Ostensório.

29. LUNETA: Peça circular do Ostensório, onde se coloca a hóstia consagrada, para a exposição do Santíssimo. É peça móvel.

30. GALHETAS: São dois recipientes para a colocação da água e do vinho, para a celebração da missa.

31. HÓSTIA: Pão não fermentado (ázimo), usado na celebração eucarística. Aqui se entende a hóstia maior. É comum a forma circular.

32. PARTÍCULA: O mesmo que hóstia, porém em tamanho pequeno e é destinada geralmente à comunhão dos fiéis.

33. RESERVA EUCARÍSTICA: Nome que se dá às partículas consagradas, guardadas no sacrário e destinadas sobretudo aos doentes e à adoração dos fiéis, em visita ao Santíssimo. Devem ser consumidas na missa seguinte.

34. INCENSO: É uma resina aromática, extraída de várias plantas, usada sobre brasas, nas celebrações solenes (Ver também a referência do nº 66).

35. NAVETA: Pequeno vaso onde se transporta o incenso nas celebrações litúrgicas.

36. TECA: Pequeno estojo, geralmente de metal, onde se leva a Eucaristia para os doentes. Usa-se também, em tamanho maior, na celebração eucarística, para conter as partículas.

37. TURÍBULO: Vaso utilizado nas incensações durante a celebração. Nele se colocam brasas e o incenso.

OUTROS SÍMBOLOS

38. IHS: Iniciais das palavras latinas “Iesus Hominum Salvator”, que significam: Jesus Salvador dos homens. Empregam-se sempre em paramentos litúrgicos, em portas de sacrário e nas hóstias.

39. ALFA E ÔMEGA: Primeira e última letra do alfabeto grego. No Cristianismo aplicam-se a Cristo, princípio e fim de todas as coisas.

40. TRIÂNGULO: Com seus três ângulos iguais (equilátero), o triângulo simboliza a Santíssima Trindade. É um símbolo não muito conhecido pelo nosso povo.

41. INRI: São as iniciais das palavras latinas “Iesus Nazarenus Rex Iudaerum”, que querem dizer: Jesus Nazareno, Rei dos Judeus, mandadas colocar por Pilatos na crucifixão de Jesus (cf. Jo 19,19).

42. XP: Estas letras, do alfabeto grego, correspondem em português a C e R. Unidas, formam as iniciais da palavra CRISTÓS (Cristo). Esta significação simbólica é, porém, ignorada por muitos.

VESTES LITÚRGICAS

Vestes usadas pelos ministros ordenados. São elas:

43. ALVA: é a antiga túnica romana e grega. É de linho e simboliza a pureza de coração com que o Sacerdote deve se aproximar do altar. Representa também a túnica branca com que Cristo foi vestido, por ordem de Herodes, para designá-lo como louco. Ao vesti-la, o sacerdote reza: "Revesti-me, Senhor, com a túnica de pureza, e limpai o meu coração, para que, banhado no Sangue do Cordeiro, mereça gozar das alegrias eternas"..

44. TÚNICA: O mesmo que alva. Atualmente pode ser de cor neutra.

45. AMICTO: é a primeira veste que o Sacerdote coloca sobre os ombros e em volta do pescoço. Representa o elmo da salvação que defende o Sacerdote das insídias de Satanás. Ao vesti-la é rezada a seguinte oração: “Colocai, Senhor, na minha cabeça o elmo da salvação para que possa repelir os golpes de Satanás”.

46. BATINA: Veste dos padres e seminaristas. É negra, representado luto ao mundo, para o qual o Sacerdote está morto, possui um colarinho branco representando a pureza. Na frente possui trinta e três botões, representando a idade de Cristo, e nas mangas possui cinco botões representado as cinco chagas de Cristo.

47. CASULA: seu nome significa “casinha”. Era um grande manto que cobria todo o corpo do Sacerdote, permitindo passar somente a cabeça. Sua função era simbolizar o isolamento do Sacerdote com relação o mundo. Com o tempo, esse manto foi diminuindo, por razões práticas (era muito difícil fazer qualquer movimento com ele). Hoje a casula romana é aberta nos flancos para facilitar os movimentos do sacerdote. A casula é feita de seda da cor correspondente à Missa celebrada, possui uma grande cruz nas costas, simbolizando o jugo suave da lei de Cristo que o Sacerdote deve levar e ensinar aos demais a levar. O Sacerdote coloca-a, rezando: “Senhor, que dissestes: O meu jugo é suave e o meu peso é leve, fazei que o suporte de maneira a alcançar a Vossa graça. Amém”. Durante a Santa Missa, o Sacerdote pode ser auxiliado pelos coroinhas, esses se vestem com batina e sobrepeliz.

48. ESTOLA: Era um lenço luxuoso, mais comprido que o manípulo, utilizado por pregadores, indicando autoridade da pessoa que falava. Hoje é uma faixa comprida de seda, da mesma cor da casula, colocada ao pescoço, descendo para frente por ambos os lados. Simboliza o poder sacerdotal e a imortalidade ou glória eterna que o Sacerdote pede, ao revestir-se dela, rezando: “Restitui-me, Senhor, a estola da imortalidade, que perdi na prevaricação do primeiro pai, e, ainda que não seja digno de me abeirar dos Vossos sagrados mistérios, fazei que mereça alcançar as alegrias eternas”.

49. CAPA PLUVIAL: É um grande manto usado pelo sacerdote e que chega até aos pés. É preso no peito por um broche. É utilizado em Missas solenes, onde muitas vezes há procissões. Seu uso antigo era para defender o Sacerdote da chuva.

50. CÍNGULO: É um cordão que o Sacerdote amarra na cintura impedindo que a alva se arraste no chão. Representa a mortificação necessária para a conservação da castidade. Representa também a corda com que Nosso Senhor foi amarrado, quando foi preso. O Sacerdote coloca-o dizendo: “Cingi-me, Senhor, com o cíngulo da pureza, e extingui nos meus rins o fogo da paixão, para que resida em mim a virtude da continência e da castidade”.

51. MANÍPULO: Inicialmente era uma espécie de guardanapo, preso a um dos braços, utilizado nos banquetes antigos. Mais tarde passou a ser utilizado como lenço, pelos oradores, para enxugar o suor e as lágrimas. Hoje é utilizado por aqueles que possuem ordens maiores, preso ao braço esquerdo. É de seda, e da mesma cor da casula e com três cruzes. Simboliza o trabalho e as boas obras, feitas aqui na terra, com lágrimas, mediante as quais o Sacerdote conquistará o céu. Representa também a corda com que Nosso Senhor foi preso à coluna, para ser açoitado. Ao vesti-lo o Sacerdote reza: “Fazei, Senhor, que mereça trazer o manípulo do pranto e da dor, para que receba com alegria a recompensa do meu trabalho”.

52. SOBREPELIZ: É uma espécie de alva de tamanho reduzido, chega o máximo na altura do joelhos, possui mangas largas e folgadas. Costuma ser de linho e pode ter rendas.

53. VÉU HUMERAL: É usado pelo Sacerdote nas bênçãos, transladações e procissões do Santíssimo Sacramento, comunhão para os enfermos, etc., e pelo Subdiácono, na Missa solene, para sustentar a Patena. Utilizado também para cobrir os objetos da Credência. É de seda, branca quando se trata do Santíssimo Sacramento, e da cor dos paramentos, na Missa solene.

Há ainda outros paramentos usados pelo Diácono e pelo Subdiácono, em Missas solenes:

54. DALMÁTICA E TUNICELA: São paramentos de seda semelhantes à casula do sacerdote, e da mesma cor que ela, porém possuem mangas e formato mais próximo do quadrado. São utilizados, respectivamente, pelo Diácono e pelo Subdiácono. Indicam solenidade, e simbolizam: a dalmática, a Justiça, e a Tunicela, a alegria.

Há também os Ornamentos Episcopais ou Pontificiais, mais vistosos e mais ricos, que os dos simples Sacerdotes, pois a maior autoridade e maior dignidade assim exigem.

O Bispo, nas funções solenes reveste-se da cor violácea, símbolo da penitência e do sacrifício, em que devem viver para conduzir o seu rebanho.

SOLIDÉU: é um pequeno gorro da cor violácea, seu nome significa "só para Deus". É utilizado pelo Bispo em todas as ocasiões, e em todos os lugares, exceto diante do Santíssimo exposto, e do Sumo Pontífice.

ROQUETE: é parecido com a sobrepeliz, possui, porém, mangas compridas e estreitas.

MURÇA: capinha de cor violácea utilizada sobre o roquete, fechada na frente com botões.

CAPA MAGNA: grande capa com cauda e capuz, utilizada nas funções pontificiais.

MEIAS E SANDÁLIAS: da cor do paramento do dia, significam que o Bispo é como Mensageiro divino, preparado para levar o Evangelho aos povos.

Além dos ornamentos o Bispo utiliza as seguintes Insígnias:

CRUZ PEITORAL: é uma advertência solene de sua dignidade sacerdotal, que deriva da Cruz, e dos seus deveres para com o seu rebanho redimido pela Cruz.

ANEL DE OURO: simboliza a caridade, possui uma pedra preciosa e significa a união do Bispo com a Igreja, e sua inquebrantável fidelidade.

BÁCULO: é um grande cajado de metal precioso, e relembra o cajado dos pastores. Possui uma das extremidade terminado em uma espécie de gancho, e a outra em ponta. Simboliza as funções do pastor: de atrair a ovelha, com a extremidade em gancho, e de atacar e ferir o lobo, com a extremidade pontuda.

PALMATÓRIA: pequeno castiçal de cabo com uma vela acesa, como sinal de homenagem a sua dignidade.

CÂNON: pequeno missal que fica na frente do Sacrário, ou no atril, em lugar do Missal Ordinário, para maior comodidade do Prelado que deve rezar, nele, orações especiais.

CRUZ ARQUIESPISCOPAL: possui uma haste, e se leva diante do Arcebispo, quando entra ou sai da igreja, ou quando se dirige solenemente a um lugar, com o crucifixo voltado para ele.

POSIÇÕES CORPORAIS

Na liturgia toda a pessoa é chamada a participar. Sentido, corpo, espírito. Assim, os gestos corporais são também vivamente litúrgicos. E como no corpo humano cada membro tem uma função própria, a serviço, porém, de todo o corpo, assim, na liturgia, cada gesto do corpo recebe um simbolismo próprio, a serviço de todo o ato celebrativo. Assim, temos:

55. AS MÃOS: Que ora se erguem em louvor; ora se estendem em abertura e oferecimento; ora se elevam em súplica; ora se juntam em recolhimento; ora se abrem em oferta. Também se faz a imposição de mãos nas ordenações.

56. OS PÉS: Não só caminham nas procissões litúrgicas, em sentido simbólico de peregrinação, como também se prestam para o ritmo de danças. Na missa da Quinta-Feira Santa são lavados em memória do mandamento novo da última Ceia do Senhor com seus discípulos. Podemos pensar nos pés do Cristo Peregrino, nas estradas difíceis da Palestina, identificados com os nossos pés, na difícil caminhada de nossa vida.

57. OS OLHOS: Na leitura eucarística, principalmente, os olhos devem ver, enxergar, contemplar. Aqui o mistério é “visto”. Daí, a atenção que se requer para os movimentos litúrgicos que se realizam no altar.

58. OS OUVIDOS: Na Liturgia da Palavra, nosso sentido auditivo é chamado a participar mais vivamente. Trata-se de ouvir, como no Antigo Testamento: "Ouve Israel...", a oração judaica mais preciosa (o Xemá judaico, no convite de Dt 6,4).

59. OUTROS MOVIMENTOS E GESTOS CORPORAIS: Podemos falar ainda: de ajoelhar-se, de prostrar-se, de sentar-se, de ficar de pé, como também de persignar-se, de traçar o sinal da cruz. Ainda falamos de genuflexão, do gesto sereno da vênia, este como reverência diante do Santíssimo e de autoridades eclesiásticas. Atente-se pelo fato de a posição "de pé", na liturgia, ser a mais expressiva, por indicar prontidão e nos revelar a atitude de ressuscitados. É como Cristo se mostra depois da ressurreição (cf. Jo 20,14; 21,4; Ap 5,6).

SÍMBOLOS LITÚRGICOS LIGADOS À NATUREZA

60. A ÁGUA: A água simboliza a vida (remete-nos sobretudo ao nosso batismo, onde renascemos para uma vida nova). Pode simbolizar também a morte (enquanto por ela morremos para o pecado). Nesse sentido, ela é mãe e sepulcro, de acordo com os Santos Padres. (Ver a referência litúrgica do nº 67, em que se fala da água, nos ritos do Batismo, do Lavabo e do "asperges").

61. O FOGO: O fogo ora queima, ora aquece, ora brilha, ora purifica. Está presente na liturgia da Vigília Pascal do Sábado Santo e nas incensações, como as brasas nos turíbulos. O fogo pode multiplicar-se indefinidamente. Daí, sua forte expressão simbólica. É símbolo sobretudo da ação do Espírito Santo (cf. Eclo 48,1; Lc 3,16; 12,49; At 2,3; 1Ts 5,19), e do próprio Deus, como fogo devorador (cf. Ex 24,17; Is 33,14; Hb 12,29).

62. A LUZ: A luz brilha, em oposição às trevas, e mesmo no plano natural é necessária à vida, como a luz do sol. Ela mostra o caminho ao peregrino errante. A luz produz harmonia e projeta a paz. Como o fogo, pode multiplicar-se indefinidamente. Uma pequenina chama pode estender-se a um número infinito de chamas e destruir, assim, a mais espessa nuvem de trevas. É o símbolo mais expressivo do Cristo Vivo, como no Círio Pascal. A luz e, pois, a expressão mais viva da ressurreição.

63. O PÃO E O VINHO: Símbolos do alimento humano. Trigo moído e uva espremida, sinais do sacrifício da natureza, em favor dos homens. Elementos tomados por Cristo para significarem o seu próprio sacrifício redentor.

64 O INCENSO: Como se falou no número 34, com sua especificidade aromática. Sua fumaça simboliza, pois, a oração dos santos, que sobe a Deus, ora como louvor, ora como súplica (cf. Sl 140(141)2; Ap 8,4).

65. O ÓLEO: Temos na liturgia os óleos dos Catecúmenos, do Crisma e dos Enfermos, usados liturgicamente nos sacramentos do Batismo, da Crisma e da Unção dos Enfermos. Nos três sacramentos, trata-se do gesto litúrgico da unção. Aqui vemos que o objeto - no caso, o óleo - além de ele próprio ser um símbolo, faz nascer uma ação, isto é, o gesto simbólico de ungir. Tal também acontece com a água: ela supõe e cria o banho lustral, de purificação, como nos ritos do Batismo e do "lavabo" (abluções), e do "asperges", este em sentido duplo: na missa, como rito penitencial, e na Vigília do Sábado Santo, como memória pascal de nosso Batismo. A esses gestos litúrgicos e tantos outros, podemos chamar de "símbolos rituais". A unção com o óleo atravessa toda a história do Antigo Testamento, na consagração de reis, profetas e sacerdotes, e culmina no Novo Testamento, com a unção misteriosa de Cristo, o verdadeiro Ungido de Deus (cf. Is 61,1; Lc 4,18). A palavra Cristo significa, pois, ungido. No caso, o Ungido, por excelência.

66. AS CINZAS: As cinzas, principalmente na celebração da Quarta-Feira de Cinzas, são para nós sinal de penitência, de humildade e de reconhecimento de nossa natureza mortal. Mas estas mesmas cinzas estão intimamente ligadas ao Mistério Pascal. Não nos esqueçamos de que elas são fruto das palmas do Domingo de Ramos do ano anterior, geralmente queimadas na Quaresma, para o rito quaresmal das cinzas.

Encerrando esse pequeno subsídio, guardemos então que toda a liturgia é ação simbólica. Assim, poderíamos ainda falar: do templo, da assembléia, dos sinos, do jejum, da esmola, das bênçãos, da ceia, da coroa do Advento, da palma, das flores, do anel, do canto, do abraço, da música, do cordeiro, da hóstia, dos ícones, do confessionário, do batistério, da arte sacra (em toda a sua vasta extensão) etc., como também, ainda, de tudo aquilo que diz respeito aos sentidos, tais como: olfato: o cheiro do incenso e das flores; paladar: o gosto do pão e do vinho; tato: o toque, seja na imposição de mãos de ritos sagrados, seja nas mãos que se unem às dos irmãos, seja no toque de coisas sagradas; visão e audição: como se falou nos nºs. 59 e 60 deste trabalho etc.. Enfim, é todo um universo simbólico, que nos convida a mergulhar cada vez mais no mistério infinito do amor de Deus.

Etimologia da Semana Santa

67. O pão e o vinho: São os elementos naturais que Jesus toma para que não somente simbolizem, mas também se convertam em seu Corpo e seu Sangue e o façam presente no sacramento da Eucaristia. Jesus os assume no contexto da ceia pascal, onde o pão ázimo da Páscoa Judaica que celebravam com seus apóstolos fazia referência a essa noite no Egito em que não havia tempo para que a levedura fizesse seu processo na massa (Ex 12,8).

O vinho é o novo sangue do Cordeiro sem defeitos que, posto na porta das casas, evitou aos israelitas que seus filhos morressem na passagem de Deus (Ex 12,5-7). Cristo, o Cordeiro de Deus (Jo 1,29), ao que tanto se refere o Apocalipse, salva-nos definitivamente da morte por seu sangue derramado na cruz.

Os símbolos do pão e o vinho são próprios da Quinta-Feira Santa no que, durante a Missa vespertina da Ceia do Senhor, celebramos a instituição da Eucaristia, da qual encontramos alusões e alegorias ao longo de toda a Escritura.

Mas como esta celebração vespertina é o pórtico do Tríduo Pascal, que começa na Sexta-Feira Santa, é necessário destacar que a Eucaristia dessa Quinta-Feira Santa, celebrada por Jesus sobre a mesa-altar do Cenáculo, era a antecipação de seu Corpo e seu Sangue oferecidos à humanidade no “cálice” da cruz, sobre o “altar” do mundo.

68 O lava-pés: João é o único que nos relata este gesto simbólico de Jesus na Última Ceia e antecipa o sentido mais profundo do “sem-sentido” da cruz. Um gesto incomum para um Mestre, próprio dos escravos, converte se na síntese de sua mensagem e dá aos apóstolos uma chave de leitura para enfrentar o que virá. Em uma sociedade onde as atitudes defensivas e as expressões de autonomia se multiplicam, Jesus humilha nossa soberba e nos diz que abraçar a cruz, sua cruz, hoje, é ficar ao serviço dos outros. É a grandeza dos que sabem fazerem-se pequenos, a morte que conduz à vida.

69 A cruz: A cruz foi, na época de Jesus, o instrumento de morte mais humilhante. Por isso, a imagem do Cristo crucificado se converte em "escândalo para os judeus e loucura para os pagãos" (1Cor 1,23). Teve que passar muito tempo para que os cristãos se identificassem com esse símbolo e o assumissem como instrumento de salvação, entronizado nos templos e presidindo as casas e habitações, e pendendo no pescoço como expressão de fé. Isto demonstra as pinturas catacumbas dos primeiros séculos, onde os cristãos, perseguidos por sua fé, representaram a Cristo como o Bom Pastor pelo qual “não temerei nenhum mal” (Sl 22,4); ou fazem referência à ressurreição em imagens bíblicas como Jonas saindo do peixe depois de três dias; ou ilustram os sacramentos do Batismo e a Eucaristia, antecipação e alimento de vida eterna. A cruz aparece só velada, nos cortes dos pães eucarísticos ou na âncora invertida.

Poderíamos pensar que a cruz era já a que eles estavam suportando, nos anos da insegurança e a perseguição. Entretanto, Jesus nos convida a segui-lo nos negando a nós mesmos e tomando nossa cruz a cada dia (cf. MT 10,38; Mc 8,34; Lc 9,23).

Expressão desse martírio cotidiano são as coisas que mais nos custam e nos doem, mas que podem ser iluminadas e vividas de outra maneira precisamente desde Sua cruz. Só assim a cruz já não é um instrumento de morte, mas sim de vida e ao “por que eu” expresso como protesto diante de cada experiência dolorosa, substituímo-lo pelo “quem sou eu” de quem se sente muito pequeno e indigno para poder participar da Cruz de Cristo, inclusive nas pequenas “lascas” cotidianas.

A coroa de espinhos, o látigo, os pregos, a lança, a esponja com vinagre... Estes "acessórios" da Paixão muitas vezes aparecem graficamente apoiados ou superpostos à cruz. São a expressão de todos os sofrimentos que, como peças de um quebra-cabeças, conformaram o mosaico da Paixão de Jesus.

Eles materialmente nos recordam outros sinais ou elementos igualmente dolorosos: o abandono dos apóstolos e discípulos, as brincadeiras, as cusparadas, a nudez, os empurrões, o aparente silêncio de Deus.

A Paixão revestiu os três níveis de dor que todo ser humano pode suportar: física, psicológica e espiritual. A todos eles Jesus respondeu perdoando e abandonando-se nas mãos do Pai.

70 A luz e o fogo: Desde sempre, a luz existe em estreita relação com a escuridão: na história pessoal ou social, uma época sombria vai seguida de uma época luminosa; na natureza é das escuridões da terra de onde brota à luz a nova planta, assim como à noite lhe sucede o dia.

A luz também se associa ao conhecimento, ao tomar consciência de algo novo, frente à escuridão da ignorância. E porque sem luz não poderíamos viver, a luz, sempre, mas sobre tudo nas Escrituras, simboliza a vida, a salvação, que é Ele mesmo (Sl 27,1; Is 60, 19-20). A luz de Deus é uma luz no caminho dos homens (Sl 119, 105), assim como sua Palavra (Is 2,3-5). O Messias traz também a luz e Ele mesmo é luz (Is 42.6; Lc 2,32).

As trevas, então, são símbolo do mal, a desgraça, o castigo, a perdição e a morte (Jó 18, 6. 18; Am 5. 18). Mas é Deus quem penetra e dissipa as trevas (Is 60, 1-2) e chama os homens à luz (Is 42,7).

Jesus é a luz do mundo (Jo 8, 12; 9,5) e, por isso, seus discípulos também devem sê-lo para outros (MT 5.14), convertendo-se em reflexos da luz de Cristo (2Cor 4,6). Uma conduta inspirada no amor é o sinal de que se está na luz (1Jo 2,8-11).

Durante a primeira parte da Vigília Pascal, chamada “lucenario”, a fonte de luz é o fogo. Este, além de iluminar queima e, ao queimar, purifica. Como o sol por seus raios, o fogo simboliza a ação fecundante, purificadora e iluminadora. Por isso, na liturgia, os simbolismos da luz-chama e iluminar-arder se encontram quase sempre juntos.

71 O Círio Pascal: Entre todos os simbolismos derivados da luz e do fogo, o Círio Pascal é a expressão mais forte, porque reúne ambos. O Círio Pascal representa a Cristo ressuscitado, vencedor das trevas e da morte, sol que não tem ocaso. Acende-se com fogo novo, produzido em completa escuridão, porque em Páscoa todo se renova: dele se acendem todas as demais luzes.

As características da luz são descritas no exultet e formam uma unidade indissolúvel com o anúncio da libertação pascal. O acender o Círio é, pois, um memorial da Páscoa. Durante todo o tempo pascal o Círio estará aceso para indicar a presença do Ressuscitado entre os seus. Toda outra luz que arda com luz natural terá um simbolismo derivado, ao menos em parte, do Círio Pascal.

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Fonte:

João de Araújo - Presbítério Virtual

Monfort Associação Cultural

De um e-mail recebido de Nei e Marta Maria <marnei67@gmail.com