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Dia da
Palavra – 5 de março de 2009
São Paulo, Apóstolo na
Bíblia
1. Nome: Shául ou
Sauio (At 7,58), que significa "implorado", "desejado".
Além do primeiro nome, em hebraico ou aramaico, era
costume ter um segundo nome, latinizado ou helenista O
segundo nome era Paulo (At 13,9).
2. Quando e onde nasceu?
Nasceu em Tarso, na Cilicia da Ásia Menor (Aí 9,11; 21,39;
22,3)" cidade localizada a uns 15 km do Mar Mediterrâneo,
aproximadamente no ano 5 da nossa era, Paulo estava na
prisão quando escreveu sua carta para o amigo Filêmon,
provavelmente na primeira prisão romana que durou de 58 a
60 (2 anos). Ele se considerava "idoso" (Fm 1,9). Para os
padrões daquele tempo, "idoso" era quem passava dos 55
anos de idade. Deduzindo mais ou menos 55 anos (idade) do
ano 60 (prisão), se obtém 5, o provável ano do seu
nascimento.
3. Estudos e formação:
Paulo, como judeu, deve ter recebido sua formação básica
(aprender a ler, a escrever, estudar a lei e a história do
povo) na casa dos pais e em seguida na Sinagoga de Tarso e
na escola ligada à sinagoga, onde deve ter a aprendido
também a cultura grega que ele conhecia e usava (At
17,28). Recebeu rígida formação superior em Jerusalém (At
22,3).
4. Qual sua leitura preferida?
Qual a importância da Bíblia para Paulo? Sem
dúvida a leitura preferida de Paulo era a "Sagrada
Escritura", de onde ele tirava a "sabedoria 'que conduz à
salvação pela fé em Jesus Cristo" (2Tm 3,15); tirava
"ensinamento", "perseverança e consolação", "esperança" (Rm
15,4); ele se considerava destinatário daqueles escritos
antigos: "escritos para a nossa instrução" (1Cor 10,11).
Ele acreditava que o Espírito de Deus agia sobre o povo
através da Sagrada Escritura, "inspirada por Deus e útil
para instruir, para refutar, para corrigir, para educar na
justiça, a fim de que o homem de Deus seja perfeito,
qualificado para toda boa obra" (2Tm 3,16-17). Naquele
tempo a Sagrada Escritura compreendia só os livros que
hoje pertencem ao Antigo Testamento. O Novo Testamento
estava acontecendo, como uma maneira nova de olhar a
Bíblia. Para Paulo o Antigo se tornava Novo, através da
vida nova e do olhar novo, nascidos da conversão para
Cristo na comunidade (2Cor 3,16).
5. Paulo escreveu alguma obra?
Não escreveu nenhum livro entendido como obra literária
dirigido a um público anônimo, Escreveu algumas cartas
para as comunidades e para seus companheiros, tratando de
assuntos e problemas bem concretos na vida das comunidades
e das pessoas, tais como as dirigidas aos Coríntios,
Romanos, Tessalonicensses; Efésios, Filêmon etc... Para
escrever, segue o esquema normal das cartas daquela época:
apresentação do autor e dos destinatários, saudação
iniciai etc... Geralmente ele ditava as cartas a um
secretário (Rm 16,22) e no fim assinava de próprio punho
(2Ts 3,17; Gl 6,11; 1Cor 16,21; C! 4,18; Fm 1,19).
6. Qual a profissão de Paulo?
Era fabricante de tendas e de outros objetos de couro (At
18, 3). É provável que, como todo menino daquela época,
tenha aprendido a profissão do próprio pai, em Tarso. A
profissão era uma característica da família, passada de
pai para filio, para a própria sobrevivência e para a
sucessão do pai na administração dos negócios.
7. Paulo era de família rica?
Paulo fazia questão de dizer que era "cidadão de Tarso" (At
21,39) e "Cidadão de Roma" (At 16,37; 22,25), e que tinha
esse direito não porque comprou, mas por nascimento (At
22,28). Ou seja, recebeu-o do pai. Isso quer dizer que o
pai de Paulo não era pobre, mas de elite, pois chegou a
apropriar-se do direito de "Cidadão de Roma" a ponto de
poder passá-lo para os filhos.
8. Porque Paulo insiste tanto no
valor do trabalho com as próprias mãos? Na
sociedade helenista, trabalhar com as próprias mãos era
visto com um trabalho próprio para escravos e impróprio
para homem livre. O ideal dos gregos era uma vida
intelectual sem trabalho manual. Missionários, filósofos e
professores ambulantes, cultivando o ideal da época, não
trabalhavam com as mãos e eram sustentados pela
comunidade, que apesar de ser formada em sua maioria por
pobres, os acolhia de bom grado por serem símbolo do ideal
que todos queriam atingir. Paulo, como homem livre, não
precisava trabalhar como um escravo. Sendo missionário
ambulante poderia ser sustentado pela comunidade (2Ts
3,7-10; At 20,34s; 1Cor4,12). Mas ele prefere romper com
essa ideologia que explorava os pobres e faz perceber onde
está a fonte da verdadeira honradez.
9. Quais países Pauto visitou?
Naquele tempo não havia países como hoje. Havia o grande
império romano, feito de reinos, povos, cidades, tribos,
cada qual mantendo sua autonomia relativa e suas próprias
leis. Todos integrados e organizados dentro dos interesses
comuns do grande império: pagar impostos e taxas; não
fazer guerras entre si; fornecer soldados para o exército
romano; reconhecer a autoridade divina do imperador. Paulo
andou pelas estradas imperiais, a pé, ao todo, mais de 15
mil quilômetros. Ele nasceu em Tarso (Ciiícia da Ásia
Menor), criou-se em Jerusalém (Palestina) e foi enviado a
Damasco (Síria). Depois da sua conversão andou pela
Arábia. Passando por Jerusalém voltou para Tarso e alguns
anos depois foi morar na comunidade de Antioquia (Síria).
Em missão, junta com companheiros, andou sem parar
passando por Chipre, Panfília, Pisídia, Licaônia, Galácia
Mísia, Macedônia, Acáia, Grécia, etc. Passou pela Ásia e
entrou peia Europa. Andou de navio pelo Mar mediterrâneo e
foi até Malta e Roma.
10. Paulo teve problemas com a
Polícia, com autoridades e sofreu perseguições?
Muitas vezes! Desde que se converteu, sempre encontrou
resistência, era perseguido e molestado. Seus adversários
recorriam à força da polícia, faziam pressão para tentar
calá-lo. Veja alguns exemplos: em Damasco (At 9,23-24); em
Jerusalém (At 9,29); em Chipre (At 13,8); em Antioquia da
Pisidia (At 13,50); em Icônio (At 14,5); em Licaônia (At
14,19); em Filipos (At 16,22); em Tessalônica (At 17,5-9);
em Beréia (At 17,13); em Corinto (At 18,12); em Éfeso (At
19,23-40); em Jerusalém (At 21,27-30). Foi preso várias
vezes: em Filipos (At 16,23); em Jerusalém (At 21,33);
em Cesaréia (Aí 23,23); em Éfeso a prisão foi tão pesada
que ele chegou a perder a esperança de sobreviver (2Cor
1,8-9). Sofrimentos, perseguições e privações marcaram
fortemente a ação missionária de Paulo: 2Cor 11,24-28.
11. Paulo teve desentendimentos
em sua missão? Sim! João Marcos, sobrinho de
Barnabé, acompanhou Paulo e Barnabé na primeira viagem
missionária, mas abandonou pela metade (At 13,13). Na
segunda viagem Paulo convidou Barnabé, que por sua vez
queria levar também João Marcos (At 15,37) Paulo era da
opinião de que não devia se levar junto aquele que na
primeira viagem os abandonou na Panfília (At 15,38). Os
dois brigaram e se separaram um do outro, por causa de
João Marcos (At 15,38-40). Mais tarde houve a
reconciliação. Paulo tornou-se novamente amigo de Marcos e
voltou a contar com sua colaboração para o anúncio do
Evangelho (2Tm 4,11), e Barnabé é lembrado como
companheiro fiel e exemplar (1Cor 9,6). Leia também a
discussão e o desentendimento que Paulo teve com Pedro, a
respeito da prática judia da circuncisão como requisito
para ser ou não cristão (At 11,1-18; 15,1-35).
12. Paulo era a favor da
submissão das mulheres e contra a participação delas na
comunidade? Convém enumerar alguns fatores a
serem levados em em conta num estudo mais aprofundado:
1°) A cultura e a consciência daquele tempo não eram as
mesmas de hoje. Textos de Paulo que hoje parecem um
retrocesso, naquele tempo eram um avanço se situados na
cultura social daquela época.
2°) Paulo sempre destacou o lugar das mulheres na vida e
na organização das comunidades por ele fundadas, cujos
nomes aparecem nas cartas, nas lembranças finais e no
relato das viagens.
3°) Os textos mais difíceis não expõem uma doutrina
universal, a ser aplicada tal e qual em todos os tempos,
mas na maioria das vezes querem resolver problemas
concretos, que estavam perturbando a vida da comunidade.
Em alguns casos deve-se examinar o contexto conflitivo que
levou Paulo a escrever de maneira negativa sobre a mulher.
Numa outra oportunidade, ainda neste ano, em nossos
estudos bíblicos, iremos abordar esse assunto de forma
mais atenta e pormenorizada.
Pe. Romão Martins
Pároco |